Data de publicação: 11 de Setembro de 2025, 04:10h, Atualizado em: 12 de Setembro de 2025, 07:32h
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo IBGE, registrou queda de 0,11% em agosto, a primeira deflação do ano. O resultado foi influenciado principalmente pelos grupos Habitação (-0,90%), Alimentação e bebidas (-0,46%) e Transportes (-0,27%), que juntos retiraram 0,37 ponto percentual do índice geral.
Na energia elétrica, o recuo foi de 4,21% em função do bônus de Itaipu, creditado nas faturas de agosto. No grupo alimentação, os destaques foram as quedas do tomate, batata-inglesa, cebola, arroz e café Já nos transportes, os preços de gasolina, etanol e passagens aéreas tiveram retração.
O conselheiro do Conselho Regional de Economia do Distrito Federal (Corecon-DF), Guidi Nunes, avalia que o alívio em agosto foi condicionado a fatores específicos. “Assim, o fator principal que pesou nessa influência foi o fator habitação, particularmente energia, que é o bônus de Itaipu. Na parte de energia, teve um desconto de 4,2%, que é só para agosto. Não vai ter, em setembro, esse desconto, então ela volta à normalidade”, aponta.
Com o resultado, o IPCA acumula alta de 3,15% no ano e 5,13% em 12 meses.
Para o conselheiro, trata-se de um quadro positivo: “Esse cenário todo, inflacionário brasileiro é um cenário benigno. O Banco Central ainda tem uma taxa de juros alta, perseguindo a meta de inflação de 3%, sendo que o teto é 4,5%, e a inflação tem ficado, nos últimos seis anos, na faixa de 5%.”
IPCA: diferenças regionais
O comportamento do IPCA em agosto variou entre as capitais (ver tabela abaixo). Vitória (ES) foi a que apresentou a maior alta, de 0,23%, puxada por energia elétrica e taxa de água e esgoto. Já Porto Alegre (RS) e Goiânia (GO) tiveram as maiores quedas, ambas de -0,40%, influenciadas pela retração nos preços da energia e da gasolina.
O gerente do IPCA, Fernando Gonçalves, reforçou essas variações. “Em termos de regionais, a maior variação do IPCA foi em Vitória, com alta de 0,23%, e a menor em Goiânia e Porto Alegre, com queda de 0,40%.
| Região |
Peso Regional (%) |
Variação (%) |
Variação Acumulada (%) |
| Julho |
Agosto |
Ano |
12 meses |
| Vitória |
1,86 |
0,10 |
0,23 |
3,56 |
5,30 |
| Brasília |
4,06 |
0,01 |
0,11 |
3,37 |
4,93 |
| São Paulo |
32,28 |
0,46 |
0,10 |
3,57 |
5,61 |
| Fortaleza |
3,23 |
0,11 |
-0,07 |
3,09 |
5,01 |
| Curitiba |
8,09 |
0,33 |
-0,07 |
3,33 |
5,46 |
| Rio Branco |
0,51 |
-0,15 |
-0,08 |
1,95 |
4,78 |
| Salvador |
5,99 |
0,02 |
-0,08 |
2,94 |
4,94 |
| Belém |
3,94 |
-0,04 |
-0,15 |
3,19 |
5,33 |
| Recife |
3,92 |
0,32 |
-0,24 |
3,09 |
4,58 |
| Aracaju |
1,03 |
0,28 |
-0,26 |
3,48 |
4,60 |
| Belo Horizonte |
9,69 |
0,22 |
-0,26 |
3,34 |
5,25 |
| São Luís |
1,62 |
-0,02 |
-0,27 |
2,60 |
4,88 |
| Campo Grande |
1,57 |
-0,19 |
-0,28 |
2,26 |
4,68 |
| Rio de Janeiro |
9,43 |
0,24 |
-0,34 |
2,35 |
4,63 |
| Goiânia |
4,17 |
-0,14 |
-0,40 |
1,68 |
4,85 |
| Porto Alegre |
8,61 |
0,41 |
-0,40 |
3,18 |
4,29 |
| Brasil |
100,00 |
0,26 |
-0,11 |
3,15 |
5,13 |
Fonte: IBGE
O IPCA é calculado pelo IBGE desde 1980, se refere às famílias com rendimento monetário de 01 a 40 salários mínimos, qualquer que seja a fonte, e abrange dez regiões metropolitanas do país, além dos municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís, Aracaju e de Brasília.