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Baixar áudioGastronomia regional, inovação tecnológica, inclusão e manifestações culturais deram o tom da 10ª edição do Salão do Turismo, que reuniu representantes de todo o país em uma programação voltada à promoção de destinos e ao fortalecimento do setor turístico brasileiro.
Ao longo de três dias, o evento concentrou palestras, apresentações culturais, rodadas de negócios e debates sobre sustentabilidade, conectividade aérea, inclusão e turismo comunitário.
A edição deste ano também reforçou o turismo interno como estratégia de desenvolvimento econômico, geração de renda e valorização da diversidade cultural brasileira. Realizado pela primeira vez no Nordeste, o encontro aconteceu em Fortaleza, no Centro de Eventos do Ceará.
A diversidade de sabores brasileiros ganhou destaque entre os corredores do evento. Entre os produtos que chamaram atenção do público estava o doce de palma apresentado pela Paraíba, preparado com o cacto tradicionalmente usado na alimentação animal no sertão e transformado em sobremesa típica com a adição de coco.
No estande do Amapá, visitantes encontraram a chamada “culinária do meio do mundo”, baseada em ingredientes amazônicos e modos de preparo tradicionais. O espaço reuniu pratos com tucupi negro, peixes regionais e castanha-do-brasil, além de sobremesas feitas com cumaru, conhecido popularmente como a “baunilha da Amazônia”.
Santa Catarina apostou em referências da imigração europeia para apresentar produtos do Vale Europeu, como salames italianos, geleias artesanais e bala de banana. Uma das curiosidades foi a geleia produzida com torresmo moído, ligada à tradição da agricultura familiar catarinense.
Representando o município de Independência, no Ceará, Katiuce Guerreiro levou ao salão produtos de um grupo voltado ao turismo de base comunitária e à valorização de sítios arqueológicos. “É uma experiência que dá muita visibilidade para o negócio do turismo. O produto deixa de ter só aquele contato com o público do município, o público local, e passa a ser visto a nível nacional”, afirmou.
A aplicação de inteligência artificial e ferramentas digitais no planejamento turístico também esteve no centro das discussões do evento. Especialistas das áreas de inovação e gestão pública debateram de que forma a tecnologia pode tornar os destinos mais acessíveis, melhorar a circulação de visitantes e aproximar os serviços públicos das demandas de turistas e moradores.
O tema foi abordado na palestra “Tecnologias e IA Aplicadas para as Políticas Públicas de Turismo”. Já na apresentação “Turismo Orientado por Pessoas: tecnologias e transformação das experiências”, Roberto Pereira, da BNP Soluções em TI; Edvaldo de Vasconcelos Vieira da Rocha Filho, diretor-presidente da InovaTech, de João Pessoa (PB); e Ari Melo, pesquisador da Universidade de Brasília (UnB), destacaram que inovação no setor não se resume à digitalização de serviços.
Segundo os participantes, o cruzamento de dados, o uso de inteligência artificial e investimentos em infraestrutura urbana inteligente podem contribuir para melhorar a mobilidade, ampliar a acessibilidade e personalizar experiências para quem visita os destinos turísticos.
Os debatedores também ressaltaram que cidades mais conectadas tendem a gerar impactos positivos tanto para o turismo quanto para a economia local e para a sustentabilidade.
O primeiro dia do evento foi marcado por apresentações culturais que transformaram o espaço em uma vitrine da diversidade brasileira. Festas populares, danças tradicionais e manifestações regionais tomaram conta dos corredores e do palco principal.
A programação começou com um trio paraibano especializado em forró pé de serra, divulgando o Festival de Trios de Forró, realizado anualmente em Queimadas, na Paraíba.
As tradições afro-brasileiras também estiveram presentes na programação cultural com a participação da Comunidade Kalunga Engenho II, de Cavalcante, na Chapada dos Veadeiros (GO). A apresentação levou ao público elementos ligados à ancestralidade, à memória coletiva e às manifestações populares da comunidade.
Outro momento que mobilizou os visitantes foi a passagem dos bois-bumbás Caprichoso e Garantido, representantes do Festival de Parintins (AM). Com música, dança e cortejos pelos corredores do evento, os grupos transformaram o espaço em um espetáculo marcado pela forte interação com o público.
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A servidora pública e assistente social Selma Nogueira destacou a diversidade cultural apresentada no evento.
“A gente ficou encantada, maravilhada com os estandes, em saber que o nosso país é riquíssimo, tem muitas regiões belíssimas e muitas coisas para serem aproveitadas e vivenciadas. Muitos locais para visitar, muita coisa bonita para a gente ver”, disse.
Uma das medidas anunciadas durante o evento foi a criação de uma linha de crédito voltada para microempreendedores individuais (MEIs) que atuam no turismo. Batizado de “Do Lado do Turismo Brasileiro”, o programa prevê financiamento de até R$ 21 mil por operação, juros de 5% ao ano mais INPC e prazo de carência de seis meses.
A proposta, segundo o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, é facilitar o acesso ao crédito para trabalhadores que costumam enfrentar barreiras no sistema financeiro formal.
“[A linha de crédito] é uma condição para aquelas pessoas que, às vezes, ficam à margem do sistema financeiro do nosso país, mas que têm um papel importantíssimo no setor do turismo. São os micro e pequenos empreendedores individuais: a mulher que vende acarajé, o vendedor de coco, o carrinho de picolé”, afirmou.
O ministro também destacou que o programa contará com aporte inicial de R$ 100 milhões, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social.
“Essas pessoas têm muita dificuldade para contratar crédito, se inserir no mercado e melhorar o ambiente de trabalho. Por isso, lançamos, junto ao Ministério do Desenvolvimento Social, um aporte de R$ 100 milhões para oferecer crédito exatamente a essas pessoas que têm essa necessidade, que estão no Cadastur, mas ainda não têm acesso às linhas de financiamento das instituições financeiras do país”, completou.
O crescimento do turismo halal também entrou na pauta do evento. O segmento é voltado ao público muçulmano e reúne serviços adaptados aos princípios islâmicos.
O Brasil, já consolidado como maior exportador mundial de proteína animal halal, busca agora ampliar sua participação no turismo voltado a esse mercado, que pode movimentar R$ 1,88 trilhão até 2028, segundo projeção da Câmara de Comércio Árabe Brasileira.
O tema foi discutido no workshop “Turismo e Hospitalidade para o Mercado Halal”, realizado durante dois dias no Salão do Turismo.
A acessibilidade para pessoas neurodivergentes também foi debatida no evento com o lançamento do “Guia Para Atender Bem Turistas Neurodivergentes”, apresentado pelo Ministério do Turismo durante a programação do Salão do Turismo.
O material foi elaborado com base em uma pesquisa nacional conduzida pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), que ouviu 761 pessoas entre fevereiro e março de 2026, incluindo autistas, pessoas com TDAH, dislexia, familiares e profissionais da área.
O levantamento apontou que fatores sensoriais ainda representam um desafio importante para esse público durante viagens e atividades turísticas. O excesso de barulho, por exemplo, causa desconforto para 72,7% dos entrevistados. Luzes intensas, aglomerações e alterações inesperadas de roteiro também aparecem entre os fatores que afetam a permanência e o bem-estar nos espaços visitados.
Entre as orientações reunidas no guia estão medidas consideradas simples e de baixo custo, como organização de ambientes sensoriais, comunicação mais objetiva, previsibilidade das informações e capacitação das equipes de atendimento.
A pesquisa também mostra que experiências negativas impactam diretamente a imagem dos destinos turísticos: mais de 80% das pessoas neurodivergentes e familiares deixam de recomendar locais após situações de desconforto. Em contrapartida, adaptações como protetores auriculares e estratégias para evitar filas podem melhorar significativamente a experiência dos visitantes.
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Baixar áudioO turismo de base comunitária, que une preservação ambiental e geração de renda em territórios locais, foi um dos principais temas discutidos durante o Salão do Turismo, realizado em Fortaleza, no Ceará.
Em diferentes painéis, especialistas apresentaram experiências que mostram como trilhas de longa distância e o turismo de pesca sustentável vêm transformando realidades em áreas rurais, comunidades tradicionais e regiões de alta relevância ambiental.
As discussões destacaram ainda que o crescimento do turismo de natureza tem se consolidado como alternativa econômica em territórios como a Serra da Ibiapaba e a Amazônia, com forte participação das comunidades locais na gestão e nos benefícios das atividades.
Na avaliação de Fabiana Oliveira, coordenadora-geral de Produtos e Experiências Turísticas do Ministério do Turismo (MTur), o setor tem buscado ir além da visitação convencional, dando maior destaque para o que temos de melhor no Brasil.
“A gente tem um grande potencial aqui no Brasil para explorar e é isso que a gente está fazendo por meio dessa política pública, ampliando esses percursos para que o turista possa, não ir para fora, mas conhecer dentro do país as melhores trilhas do mundo, que com certeza estão aqui”, pontuou.
Um dos painéis reuniu representantes de diferentes rotas brasileiras de caminhada, como a Caminhos da Ibiapaba (Ceará e Piauí), a Trilha Amazônia Atlântica (Pará) e o Caminho da Fé (Minas Gerais e São Paulo). As iniciativas conectam municípios, unidades de conservação e comunidades locais por meio de percursos de longa distância.
Atualmente, o Brasil conta com 22 trilhas homologadas pela Rede Nacional de Trilhas de Longo Curso e Conectividade, iniciativa federal voltada à integração de paisagens e à promoção do turismo sustentável.
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De acordo com os participantes, essas rotas têm impulsionado economias locais por meio de hospedagem familiar, alimentação, produção artesanal e serviços de condução turística, além de fortalecerem vínculos de pertencimento nas comunidades envolvidas.
“O turismo de base comunitária é o que hoje o turista está buscando cada vez mais”, afirmou Waldemar Justo, gestor do Parque Nacional da Serra da Capivara, localizado no sudeste do estado do Piauí. Ele destacou que os percursos “agregam pertencimento dentro de uma comunidade local, além de gerar emprego e renda para as famílias”, destacou.
"São vários empregos indiretos que são gerados, e a parte de empreendedorismo mesmo, que é a parte do turismo de base comunitária, geração de parte de hospedagem na casa dessas comunidades ou até mesmo que começaram a construir alguns campings dentro dessas comunidades para recepcionar esses visitantes", complementou Justo.
Já o diretor de planejamento da Trilha Amazônia Atlântica, Júlio Meyer, ressaltou o papel da tecnologia no desenvolvimento das rotas. “Toda trilha que nasce hoje, já nasce com aplicativo e site. Isso é maravilhoso e essencial para o turismo de base comunitária”, disse, citando a Plataforma eTrilhas.
No caso do Caminho da Fé, que liga o Santuário Nacional de Aparecida a cidades do interior paulista e mineiro, a coordenadora Ana Paula Rinaldi destacou a internacionalização da rota e a formação de redes empreendedoras ao longo do trajeto. O percurso conta com sinalização a cada dois quilômetros e já está presente em plataformas internacionais de caminhadas.
“A minha cidade é antes do Caminho da Fé e depois do Caminho da Fé”, afirmou Ana Paula Rinaldi, ao comentar os impactos sociais e econômicos percebidos nas comunidades.
Outro eixo do debate tratou do turismo de pesca esportiva na Região Norte, especialmente nos estados do Amazonas, Rondônia, Roraima e Amapá. As experiências mostram como a atividade pode contribuir para a conservação ambiental e para a geração de renda em comunidades ribeirinhas.
Dados apresentados pela Empresa Estadual de Turismo do Amazonas indicam que o estado recebe cerca de 35 mil turistas ligados à pesca esportiva, dentro de um universo de aproximadamente 405 mil visitantes.
“Para ter nossa floresta de pé, a gente precisa conservar. A pesca esportiva tem essa força”, destacou Ana Cláudia, diretora de marketing do órgão, ao reforçar a relação entre preservação ambiental e atividade turística.
O painel contou ainda com a participação de representantes da Secult Roraima, Secult Amapá e da FishTV, além de Alexandre Resende. O grupo reforçou a importância da participação das comunidades na construção dos produtos turísticos.
Lariessa Moura, coordenadora do Desenvolvimento da Pesca Industrial, Amadora e Esportiva do Ministério da Pesca e Aquicultura, apresentou iniciativas voltadas ao fortalecimento do pescador amador e à construção do Plano Nacional da Pesca Amadora e Esportiva.
O Salão do Turismo foi promovido pelo Ministério do Turismo, com apoio do Governo do Estado do Ceará e da Prefeitura de Fortaleza. O evento, realizado entre os dias 7 e 9 de maio, reuniu experiências das 27 unidades da Federação e combinou cultura, gastronomia, artesanato e inovação, funcionando como vitrine do turismo brasileiro.
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Baixar áudioDe vendedor de objetos da própria casa a recordista mundial de viagens, o influenciador Robson Jesus emocionou o público do Salão do Turismo, em Fortaleza, ao contar como saiu da periferia de Osasco para conhecer todos os países do mundo em tempo recorde.
No último dia 9 de maio, durante o evento realizado pela primeira vez no Nordeste, Robson participou do painel “Turismo na Prática” e compartilhou os bastidores da jornada que o levou aos 196 países do planeta em apenas 2 anos e 42 dias — marca reconhecida oficialmente pelo Guinness Book em outubro de 2024.
A viagem começou na Tailândia e terminou no Brasil. Segundo ele, o objetivo sempre foi mostrar que pessoas de origem humilde também podem alcançar grandes sonhos.
“Ninguém acreditava! Comecei a vender tudo o que eu tinha na minha casa. Vendi geladeira, vendi fogão, vendi moto. Minha mãe achava que eu estava louco. Juntei quase R$ 90 mil. Era tudo o que eu tinha na vida. Noventa mil para uma viagem orçada em R$ 500 mil. Parei, pensei: ‘beleza!’ Agora só faltam R$ 410 mil. Vamos lá!”, contou Robson.
Nascido em Osasco, o influenciador relembrou as dificuldades do início da viagem. Para economizar, dividia quartos de hostel com dezenas de pessoas e recorria a refeições mais baratas.
“Dividia hostel com 20 pessoas. Comi bastante fast food para economizar. Mas depois de dez meses, já tinha feito meu primeiro milhão de reais. Só com celular. Comecei a criar conteúdo na internet, a fazer vídeos. Passei a receber diversos convites de empresas”, comentou.
Ao longo do percurso, Robson visitou 35 países das Américas, 49 da Europa, 54 da África, 44 da Ásia e 14 da Oceania. Entre todos os destinos, ele destacou três favoritos: Tailândia, pelas paisagens naturais; Japão, pela cultura; e Vietnã, pela culinária.
Durante o painel, o influenciador também falou sobre o crescimento do chamado turismo de experiência — modalidade em que o viajante busca vivências marcantes além dos pontos turísticos tradicionais.
“Aquele país, aquela cidade que oferece mais que o destino proporciona, se destaca. As pessoas estão em busca de uma experiência inesquecível. Uma culinária surpreendente, uma natureza exuberante, uma cultura pulsante e viva. Tudo ajuda a transformar o roteiro. Eu já visitei muitas cavernas, dormi numa casa na árvore... As pessoas querem ter boas histórias para contar”, apontou.
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Robson afirmou ainda que ficou impressionado com o debate sobre o setor durante o Salão do Turismo, em Fortaleza.
“Foi um prazer muito grande estar aqui, fomentando o turismo, discutindo melhorias para o setor. Participei de alguns debates e foi muito produtivo. A gente vê que o turismo no Brasil vem crescendo, alcançando importantes números, e isso é bom pra todos”, declarou.
Para ele, a América do Sul deve ganhar protagonismo no turismo internacional nos próximos anos, especialmente o Brasil.
“Acho que teve aquele hype da Europa, de ir pra França, Inglaterra, Portugal. Aí tivemos o boom da Ásia. Todo mundo querendo ir para a Tailândia, todo mundo querendo ir para Bali, Indonésia. Na minha opinião, nos próximos cinco anos, a América do Sul vai estar na rota do mundo e o Brasil vai liderar isso. Temos um potencial enorme, de muitos destinos ligados às belezas naturais e culturais. Chegou a nossa vez”, finalizou.
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Baixar áudioO Ministério do Turismo realiza, neste sábado (9), o último dia da 10ª edição do Salão do Turismo, no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza (CE). Com entrada gratuita e abertura dos portões ao público a partir das 11h40, o evento reúne as potencialidades turísticas dos 26 estados e do Distrito Federal em uma programação voltada à promoção de destinos, experiências culturais, gastronomia, artesanato, qualificação profissional e geração de negócios.
SAIBA MAIS: https://www.gov.br
Copiar o textoPesquisa apresentada no 10º Salão do Turismo indica impacto de R$ 40,7 bilhões na economia em 2025
Baixar áudioTurismo em Unidades de Conservação injetou R$ 40,7 bi na economia brasileira em 2025, segundo estudo do ICMBio, elaborado no âmbito do Programa Natureza com as Pessoas, que conta com o apoio do Ministério do Turismo.
O estudo apresentado nesta quinta-feira (7), durante o 10º Salão do Turismo, em Fortaleza (CE), apontou que cada R$ 1 investido nas Unidades de Conservação federais do Brasil gera retorno de R$ 15,60 para a economia.
Para o Ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, os números reforçam o potencial que o Brasil tem no turismo de natureza. “E mostram que nossas Unidades de Conservação são cada vez mais reconhecidas como destinos estratégicos para o país”, completou.
Socióloga e diretora de Criação e Manejo de Unidades de Conservação do ICMBio, Iara Vasco reforça que a pesquisa, ainda não publicada oficialmente, integra o Programa Natureza com as Pessoas, lançado durante o 9º Salão do Turismo, em 2024. “Desde então, começamos a compreender o Turismo de Base Comunitária nas reservas extrativistas como uma alternativa que vai além do manejo de recursos naturais, mas também como um potencial econômico, e não apenas financeiro, impulsionando uma cadeia produtiva da qual nós sequer tínhamos dimensão”, afirma.
Thiago Beraldo, pesquisador e presidente do Grupo de Turismo em Áreas Protegidas da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN/IUCN), explicou que a metodologia do estudo aplicou mais de 2 mil questionários em oito UCs federais e também é replicada em vários países.
“Existem duas formas de avaliar uma UC: a análise financeira e a análise econômica. Elas respondem a perguntas distintas e levam a conclusões diferentes. Na análise econômica, avaliamos tudo o que o turista deixa na economia do município onde a Unidade está localizada.”
O Salão do Turismo é promovido pelo Ministério do Turismo, com apoio do Governo do Ceará e da Prefeitura de Fortaleza. O evento reúne representantes das 27 unidades da Federação e apresenta atrações ligadas à gastronomia, artesanato, cultura, tecnologia e inovação no setor turístico.
Copiar o texto10º Salão do Turismo destaca cultura, negócios e destinos turísticos do Brasil
Baixar áudioNo Dia Nacional do Turismo, data celebrada nesta sexta-feira (8), o 10º Salão do Turismo transformou Fortaleza (CE) na vitrine oficial do setor no Brasil. O evento vai até este sábado (9). Pela primeira vez realizado na região Nordeste, o salão ocupa o Centro de Eventos do Ceará para conectar a cadeia produtiva, autoridades e o público interessado na diversidade cultural brasileira.
O Ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, ressaltou que o salão é uma oportunidade de integração nacional. “O Salão é a melhor oportunidade para o brasileiro conhecer, em um só lugar, novos destinos e culturas de todo o Brasil. Viajar é para todo mundo, e este evento mostra que o turismo tem um leque enorme de possibilidades. Também é um espaço de qualificação e, principalmente, de negócios.”
No primeiro dia do evento, ocorrido nesta quinta-feira (7), o ministro anunciou a liberação de R$ 1 bilhão em crédito via Fundo Geral de Turismo (Fungetur) para microempreendedores individuais (MEIs) de baixa renda inscritos no CadÚnico.
O Ministério do Turismo também apresentou o “Guia Para Atender Bem Turistas Neurodivergentes”, que reúne orientações para qualificar o atendimento e ampliar a acessibilidade em destinos turísticos de todo o país.
Com a presença de expositores de todas as 27 unidades federativas, o evento funciona como um hub de negócios. Empreendedores locais utilizam o espaço para estreitar conexões e buscar novos fornecedores.
É o caso de Vívian Sales, coordenadora da área comercial da empresa Fortaleza Fruit, localizada no bairro Papicu da capital. Ela destacou que o foco é a negociação: "Viemos para estreitar conexões. Trabalhamos com frutas congeladas e temperos e passamos nos estandes para conhecer produtos e negociar demandas de outras regiões para atender chefes de cozinha locais", afirmou.
O público que circulou pelo Centro de Eventos aprovou a diversidade. A cantora cearense Maria Adelino relatou que o evento surpreende pela riqueza cultural. “Estou achando tudo incrível. Tem muitos brindes em todos os estandes. Está tudo muito lindo, música ao vivo, cultura muito rica em todos os lugares. Estou amando”, comentou.
Até mesmo o público estrangeiro acompanha a movimentação. A italiana Donatella Festa, que reforma uma pousada na praia Canoa Quebrada (CE), no município de Aracati (CE), buscou o evento para entender as ofertas do mercado brasileiro e utilizar ferramentas digitais de cadastramento turístico. “Me parece tudo muito interessante [no Salão do Turismo]. Já participei de uma reunião sobre um aplicativo da Embratur. Vou me cadastrar para entender melhor”, contou.
Diversidade: Ao visitar o espaço das Macrorregiões, o público pode explorar as experiências, a culinária e os destinos de todos os estados brasileiros. A identidade nacional ganha os holofotes na área de Manifestações Culturais, onde o palco recebe a grandiosidade dos bois-bumbás do Festival de Parintins, o humor consagrado dos comediantes cearenses, o ritmo do forró e muito mais.
Diversão e Culinária: Para as famílias e os viajantes, dos mais tranquilos aos mais radicais, o setor de Parques e Atrações apresenta as melhores opções de diversão espalhadas pelo país. Os sabores inconfundíveis da nossa terra estão reunidos no Armazém da Agricultura Familiar, que conta com 18 expositores, de nove estados, e mais de 80 produtos diferentes, complementando as belezas do espaço de Artesanato com produtos de moda e decoração criados pelas mãos de 37 artesãos, de 14 estados.
Negócios: Os profissionais e empresários também têm foco e presença garantidos. A 2ª edição do Brasil Mais Crédito para o Turismo oferece orientação técnica e apoio direto para acesso a linhas de financiamento do Fundo Geral de Turismo (Fungetur), permitindo simulações de crédito no próprio local. O Espaço para Negócios promove encontros e rodadas ideais para impulsionar o crescimento do seu empreendimento, enquanto o Núcleo do Conhecimento traz especialistas do setor para debater tendências e capacitar o mercado de turismo no Brasil e no mundo.
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Baixar áudioMicroempreendedores individuais (MEIs) que atuam no turismo contam agora com uma linha de crédito inédita. O programa “Do Lado do Turismo Brasileiro” oferece até R$ 21 mil por operação, com juros de 5% ao ano (mais INPC) e carência de seis meses.
O anúncio foi feito pelo ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, nesta quinta-feira (7), durante a abertura do 10º Salão do Turismo, no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza (CE).
A iniciativa foca em profissionais inscritos no CadÚnico e no Cadastur, como guias de turismo, artesãos, motoristas e vendedores ambulantes.
De acordo com o Ministério do Turismo, em um primeiro momento, a iniciativa estará disponível para os MEIs do Nordeste do país e em seguida será ampliada para todo o Brasil.
O ministro disse que a ação foi pensada especialmente para esse público, que enfrenta restrições estruturais de acesso ao sistema financeiro formal.
“[A linha de crédito] é uma condição para aquelas pessoas que, às vezes, ficam à margem do sistema financeiro do nosso país, mas que têm um papel importantíssimo no setor do turismo. São os micro e pequenos empreendedores individuais: a mulher que vende acarajé, o vendedor de coco, o carrinho de picolé. Essas pessoas têm muita dificuldade para contratar crédito, se inserir no mercado e melhorar o ambiente de trabalho. Por isso, lançamos, junto ao Ministério do Desenvolvimento Social, um aporte de R$ 100 milhões para oferecer crédito exatamente a essas pessoas que têm essa necessidade, que estão no Cadastur, mas ainda não têm acesso às linhas de financiamento das instituições financeiras do país”, explicou Feliciano.
Nesta fase inicial, o recurso está disponível apenas para empreendedores da Região Nordeste. O interessado deve atender aos seguintes critérios:
● Estar inscrito no CadÚnico (renda mensal de até meio salário-mínimo por pessoa);
● Possuir registro ativo no Cadastur (sistema de formalização do Ministério do Turismo);
● Atuar em atividades como hospedagem, alimentação, transporte ou eventos.
Os recursos são do Fundo Geral do Turismo (Novo Fungetur), com garantia do Fundo de Garantia de Operações (FGO). Isso dispensa a exigência de garantias reais por parte do microempreendedor.
O processo ocorre de forma virtual pelo canal de atendimento do Banco do Nordeste (BNB). Após a manifestação de interesse, um agente de crédito realiza uma entrevista para analisar a viabilidade do negócio e a finalidade do recurso.
O crédito permite investimentos em:
1. Compra de equipamentos e bens móveis;
2. Aquisição de utensílios e ferramentas;
3. Pequenas reformas e modernização de instalações.
O prazo total para pagamento é de 24 meses. O Governo Federal destinou R$ 100 milhões iniciais para garantir as operações de crédito voltadas ao público de baixa renda.
Atualmente, o Cadastur registra mais de 46 mil microempreendedores que podem ser beneficiados. Aqueles que ainda não são MEIs podem formalizar a microempresa e se inscrever no sistema para buscar o financiamento.
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Baixar áudioO Ministério do Turismo lançou, nesta quinta-feira (7), durante o Salão do Turismo, em Fortaleza (CE), o “Guia Para Atender Bem Turistas Neurodivergentes”. A iniciativa estabelece orientações práticas para qualificar o atendimento e ampliar a acessibilidade em destinos turísticos de todo o Brasil.
O documento baseia-se em pesquisa nacional da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), realizada com 761 participantes entre fevereiro e março de 2026. O levantamento incluiu autistas, pessoas com TDAH, dislexia, familiares e profissionais da área.
Para o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, a elaboração do guia representa mais um passo para democratizar o turismo no Brasil.
“Esse material vai contribuir para que todos vivam as experiências turísticas com conforto, respeito e dignidade. Essa é uma diretriz do governo do presidente Lula, de cuidar das pessoas e ampliar o acesso a direitos”, afirmou.
A pesquisa, que orientou a formulação do Guia, aponta que as barreiras enfrentadas por este público superam a estrutura física. O preparo das equipes é o fator de maior impacto na experiência. Segundo os dados, o julgamento de comportamentos e a falta de flexibilidade no atendimento afastam visitantes:
● 90,1% relataram julgamentos relacionados a comportamentos neurodivergentes.
● 89,8% apontaram que funcionários não compreendem suas necessidades.
● 87,5% citaram falta de flexibilidade no atendimento.
● 83,7% relataram ausência de acolhimento e respeito ao informar necessidades.
● 79% apontaram falta de respeito à autonomia e à dignidade.
● 77,5% indicaram ausência de espaços adequados para regulação sensorial.
● 77% destacaram dificuldade com tempo de espera sem previsibilidade.
● 71,5% relataram falta de informação sobre adaptações disponíveis.
Para os municípios que buscam fortalecer o turismo, a qualificação profissional é prioritária. O treinamento das equipes foi citado como medida principal por 63,3% dos profissionais entrevistados e 55,6% dos familiares.
O turismo para neurodivergentes exige atenção a fatores sensoriais. O barulho intenso causa desconforto para 72,7% dos participantes. Além disso, luzes fortes, aglomerações e mudanças inesperadas de roteiro comprometem o bem-estar e a permanência nos locais.
O guia evidencia que algumas soluções práticas são de baixo custo, mas de alto impacto, organizadas em três eixos principais: ambiente sensorial, comunicação e previsibilidade da informação, além da capacitação das equipes.
Entre as recomendações estão:
- Organização de fluxos e rotas alternativas para reduzir aglomerações.
- Criação de áreas de pausa e regulação sensorial.
- Possibilidade de pausa e retorno durante atividades.
- Sinalização clara de saídas e rotas alternativas.
- Comunicação antecipada sobre intensidade sonora, estímulos visuais e tempo de espera.
- Disponibilização de mapas, roteiros e informações prévias sobre o ambiente.
- Uso de linguagem simples, direta e acessível.
- Treinamento contínuo das equipes para acolhimento adequado.
- Flexibilização de procedimentos e atendimentos.
- Criação de ambientes mais previsíveis e organizados.
O estudo revela ainda que experiências negativas reduzem a recomendação de um destino para mais de 80% das pessoas neurodivergentes e seus familiares. Por outro lado, adaptações simples, como a oferta de protetores auriculares ou a organização de fluxos para evitar filas, podem transformar a percepção do visitante.
Copiar o textoSistema digital permite preenchimento antecipado de dados e agiliza o check-in
Baixar áudioA partir de 20 de abril, meios de hospedagem em todo o Brasil deverão adotar integralmente a Ficha Nacional de Registro de Hóspedes (FNRH) em formato digital. A medida, implementada pelo Ministério do Turismo em parceria com o Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados), promete tornar o check-in mais ágil e reduzir a burocracia no setor.
A nova FNRH Digital permitirá que turistas preencham seus dados antecipadamente, com integração ao sistema Gov.br, o que deve acelerar o atendimento na chegada aos hotéis. A ferramenta também simplifica o registro de visitantes estrangeiros e elimina a necessidade de formulários em papel.
Além de beneficiar os hóspedes, a digitalização deve gerar economia de tempo e custos operacionais para os estabelecimentos. Outro ganho importante é a produção de dados estratégicos, que poderão apoiar tanto a gestão dos empreendimentos quanto o planejamento do turismo no país.
O ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, destacou o impacto da mudança para o setor:
“Daremos um passo gigantesco na modernização da hotelaria de todo o Brasil, revolucionando a forma como turistas se hospedam no país. Além disso, com estatísticas mais precisas da ficha digital, o Ministério do Turismo poderá desenvolver políticas públicas e investimentos ainda mais eficientes, atendendo exatamente às necessidades da hotelaria e dos seus hóspedes”, afirmou.
Segundo o Ministério do Turismo, a adesão à plataforma — disponível desde 14 de novembro de 2025 — exige preparação por parte dos meios de hospedagem, inclusive daqueles que já utilizam sistemas próprios de gestão.
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Para apoiar a transição, o órgão tem promovido ações de orientação, como a divulgação de um vídeo explicativo com as etapas de implementação e a disponibilização de uma página com perguntas frequentes para esclarecimento de dúvidas.
A plataforma foi desenvolvida em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), garantindo que as informações coletadas sejam acessadas apenas por pessoas autorizadas e sistemas governamentais específicos. A medida reduz significativamente os riscos de vazamento de dados.
A obrigatoriedade da FNRH Digital está prevista na nova Lei Geral do Turismo, sancionada em 2024.
Em 2025, o país recebeu 9,2 milhões de turistas internacionais, um aumento de 37% em relação ao ano anterior. Trata-se do maior avanço entre os principais destinos globais, segundo a ONU Turismo.
No mesmo período, os aeroportos brasileiros registraram 129,6 milhões de passageiros em voos nacionais e internacionais, superando pela primeira vez a marca de 120 milhões em um único ano.
Dados do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB) indicam ainda aumento superior a 2% na taxa média de ocupação da hotelaria em comparação a 2024. O setor também segue em expansão, com 133 projetos hoteleiros em andamento — um crescimento de 25% frente ao ano anterior.
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Baixar áudioO Carnaval 2026 deve movimentar mais de 65 milhões de pessoas nas ruas de todo o Brasil. Dados das Secretarias de Turismo estaduais apontam alta de 22% em comparação ao ano passado. Os polos da folia seguem nas capitais brasileiras, como Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Belo Horizonte, Olinda e Recife, reunindo 40 milhões de foliões brasileiros e estrangeiros.
O Ministério do Turismo destaca que o fluxo de turistas impulsiona a ocupação hoteleira e movimenta o setor de serviços.
A Região Sudeste, por exemplo, concentra os números mais expressivos da folia. Em São Paulo, a expectativa é superar a marca de 16 milhões de foliões de 2025. A cidade possui mais de 600 blocos cadastrados para desfilar pelas ruas da capital paulista.
Já no Rio de Janeiro, serão mais de 462 blocos. A Riotur projeta que 8 milhões de pessoas se movimentem pelas ruas da cidade, com um volume de R$ 5,7 bilhões na economia local.
A rede hoteleira também foi impactada positivamente pelo feriado. Na capital carioca a rede opera quase em capacidade máxima, com 98% de ocupação.
Em Minas Gerais, a previsão também é de crescimento econômico. A capital, Belo Horizonte, projeta reunir 6,2 milhões de foliões, conforme a Belotur. Do total, cerca de 20% desse público é formado por turistas — com avanço de 2% em relação a 2025.
A expectativa é de que o impacto econômico supere R$ 1 bilhão, considerando a taxa de ocupação hoteleira estimada em 75% . A cidade mineira reúne cerca de 60 blocos.
A Região Nordeste também se destaca como um dos principais destinos turísticos durante o período de Carnaval.
Em Salvador (BA), a expectativa é superar os 11 milhões de foliões de 2025, com a chegada de cerca de 1,2 milhão de visitantes entre 12 e 18 de fevereiro – período oficial da festa, de acordo com o Observatório do Turismo da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult).
O volume de turistas representa alta de 10,2% ante o ano anterior. O fluxo também deve aumentar o percentual de ocupação dos hotéis acima de 90%.
Segundo a Prefeitura do Recife, a capital pernambucana espera reunir mais de 3,6 milhões de foliões. A cidade vai contar com cerca de 70 atrações nos seis dias de festa. A movimentação financeira pode chegar a R$ 2,7 bilhões na economia local.
Já Olinda (PE) espera receber mais de 4 milhões de foliões, com vistas a superar o ano anterior.
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