Escoamento da produção rural

10/03/2026 04:15h

Aumento de 15% para 17% do combustível renovável pode diminuir impacto do encarecimento do petróleo causado pelo conflito no Oriente Médio

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A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) pediu que o governo federal aumente de 15% (B15) para 17% (B17) o biodiesel diluído ao óleo diesel no país. O ofício, assinado pelo presidente da entidade, João Martins, foi entregue ao gabinete do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, onde vai ser realizada a próxima reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), na quinta-feira (12), e a revisão do índice da mistura no combustível deve ser um dos assuntos discutidos.

Segundo o diretor técnico da CNA, Bruno Lucchi, distribuidoras estão usando o conflito no Oriente Médio, que provocou a disparada no preço do petróleo – matéria-prima do diesel –, para aumentar injustificadamente o valor do combustível nos postos. “Nós recebemos algumas ligações das federações de agricultura relatando que o aumento do preço do diesel já está acontecendo em algumas regiões, chegando inclusive a R$ 1 na bomba. É um aumento, na nossa visão, desproporcional. A Petrobras é a maior importadora de diesel do Brasil; 70% passa por ela, e não houve nenhum reajuste ainda”, destaca o dirigente.

Levantamento feito pela confederação indica que o preço do barril do petróleo bruto chegou a US$ 84, uma alta de mais de 20% em relação ao fim de fevereiro. A CNA destaca que, no início da guerra entre Rússia e Ucrânia, o preço do barril do Brent subiu 40%, o que refletiu em um aumento entre 21% e 23% nos preços de distribuição e revenda do diesel. Assim, defende a instituição, uma maior utilização do biodiesel pode reduzir a demanda por combustível fóssil e, consequentemente, evitar o aumento de custos logísticos no Brasil.

Oferta

Feito a partir do processamento de grãos, mais biodiesel nos combustíveis nacionais pode impulsionar ainda mais o campo brasileiro. Atualmente, além dos 15% do biocombustível no diesel, a gasolina tem 30% de etanol misturado (E30).

Lucchi destaca que, com a safra recorde colhida pelo Brasil no último ano agrícola, há oferta no mercado para suprir a demanda com a possível elevação da mistura, além de evitar empecilhos aos agricultores com as operações nas lavouras ou escoamento da colheita, já que o diesel é primordialmente usado como combustível dos tratores e caminhões. “A conjuntura favorece você ter um percentual maior do biodiesel no diesel, até mesmo para você ter uma redução de preço aos produtores que estão usando esse insumo de forma significativa nesse momento: tratos culturais, colheita, plantio, fora os fretes dos produtos. Então, a gente precisa que não haja um aumento exorbitante”, alerta.

B16

Tradicionalmente, a elevação da taxa de biodiesel presente no diesel ocorre por ponto percentual. A implementação dos 16% (B16) de combustível renovável estava prevista para ser discutida em 1º de março, conforme cronograma estabelecido, o que não foi feito.

Entretanto, diante do atual cenário geopolítico mundial e das condições encontradas nas lavouras do país, a CNA entende que o avanço imediato para 17% surge como medida razoável e competitiva para a realidade nacional.

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18/02/2026 04:20h

Federação alerta que melhora no desempenho é insuficiente para aumentar atratividade empresarial no estado

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O número de roubos de carga no estado do Rio de Janeiro caiu 9% em 2025. A prática ilegal gerou prejuízo direto estimado em R$ 314 milhões, aponta o Panorama do roubo de carga no estado do Rio de Janeiro – 2026, da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

Parte desse recuo é associada a operações integradas das forças de segurança no ano passado, além da atuação da Força Nacional. O entorno do Porto do Rio, responsável pela movimentação de mais de R$ 260 bilhões em cargas, também registrou diminuição nos casos, ainda que permaneça sob atenção permanente.

Impacto econômico

O dado, porém, não altera a realidade vivida pela população fluminense: o crime segue altamente concentrado, com impacto significativo sobre a logística, os custos operacionais e a atratividade econômica do Rio de Janeiro.

No ano passado, foram 3.114 ocorrências em todo o estado, uma média de oito caminhões roubados por dia. A prática segue fortemente concentrada na Região Metropolitana, especialmente em áreas cortadas por rodovias federais essenciais para o abastecimento e a circulação de mercadorias, como a BR-040 (Washington Luís), BR-101 (Avenida Brasil) e BR-116 (Presidente Dutra).

O levantamento da Firjan mostra que mais da metade dos registros (52,8%) está concentrada em apenas oito das 137 Circunscrições Integradas de Segurança Pública (CISP) do estado, o que evidencia gargalos persistentes na logística e na segurança de corredores estratégicos.

O impacto econômico, segundo a federação, vai além da perda direta da mercadoria. Custos indiretos com seguros, escoltas e segurança privada pressionam empresas de todos os portes e encarecem a produção. Dois em cada três empresários afirmam que as decisões de investimentos no Rio de Janeiro são afetadas pelas condições de segurança.

Desempenho local

A cidade de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, permanece como o principal foco de preocupação. A região concentrou 36% de todos os roubos de carga do estado em 2025, com 399 ocorrências, alta de 29% em relação a 2024. Campos Elíseos aparece na sequência, com 287 roubos no ano passado.

Outras áreas apresentaram movimentos distintos. Belford Roxo e Anchieta deixaram o grupo de maior concentração após reduções expressivas, enquanto as áreas de São João de Meriti e da Pavuna passaram a figurar entre as regiões críticas, com aumentos de 31% e 47%, respectivamente.

No Leste Fluminense, a cidade de São Gonçalo manteve a tendência de crescimento. Após forte elevação em 2024, o município registrou novo aumento em 2025. Foram 223 ocorrências na zona, com destaque para os meses de novembro e dezembro, concentrando quase metade do total anual, em áreas diretamente influenciadas pela BR-101.

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31/12/2024 11:00h

Projeto de R$ 66 milhões, financiado pelo Fundo da Marinha Mercante, pode gerar 220 empregos no estado

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A partir de 2025, o Amapá terá uma infraestrutura portuária mais moderna. É que a Companhia Norte de Navegação e Portos (Cianport), empresa de logística de grãos e fertilizantes, vai construir 12 barcaças com capacidade para transportar 3.500 toneladas de carga em cada uma delas. O projeto, financiado pelo Fundo da Marinha Mercante (FMM), custará R$ 66,6 milhões e poderá gerar 220 empregos.  

O Porto de Santana, onde a Cianport opera, movimentou 2,9 milhões de toneladas de cargas entre janeiro e outubro deste ano, sendo 96,5% granéis sólidos como madeira, soja e milho. As informações são da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

Além desse estaleiro, o Ministério de Portos e Aeroportos, responsável por administrar o FMM, aprovou outros 20 projetos que beneficiam a indústria naval nos estados do Amazonas, Pará, Bahia, Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Juntos, os empreendimentos somam mais de R$ 10 bilhões, com expectativa de geração de 8.828 empregos diretos.

Leia mais: Ministério de Portos e Aeroportos investe R$ 10,5 bilhões para fomentar a indústria naval

“Vivemos uma nova fase de retomada da indústria naval brasileira, que prepara o país para o crescimento socioeconômico promovido pelo transporte aquaviário”, pontuou o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho.

Acrescentou ainda que o governo federal tem priorizado o fortalecimento da indústria, o escoamento da produção nacional e o impulsionamento de setores essenciais. “Com isso, avançamos no desenvolvimento econômico e criamos oportunidades de emprego”.

Vantagens econômicas e ambientais

No entendimento do Ministério de Portos e Aeroportos, a indústria naval tem potencial para ser aliada na transição energética do país, uma vez que a melhor distribuição dos modais de transporte já reduziria significativamente a emissão de carbono.

“Mas a indústria pode ir além. Estar na vanguarda de projetos inovadores com biocombustíveis para embarcações, torres eólicas aproveitando todo potencial de pesquisa e desenvolvimento no segmento naval”, diz trecho de nota enviada pela pasta ao Brasil 61.

O ministério informou que o FMM, nesse aspecto, “já aprovou projetos de pesquisa e desenvolvimento de motores híbridos e de construção de embarcações que irão operar com combustíveis sustentáveis, em convergência com a nossa agenda ambiental”.

De acordo com o coordenador-geral de Fomento do Ministério de Portos e Aeroportos, Fernando Pimentel, o apoio ao setor, por meio do Fundo da Marinha Mercante, também diminui os custos logísticos, de combustível à manutenção.

“O Fundo da Marinha Mercante é o principal pilar da política de apoio à indústria naval brasileira. É essencial para a internalização da tecnologia, com enorme impacto na integração com as cadeias mundiais de comércio”, esclareceu.

A principal fonte de receita do FMM é uma contribuição paga no desembarque de mercadorias em portos brasileiros. No ano, o fundo já destinou mais de R$ 30 bilhões, com foco nas indústrias de construção e reparação navais.

“[O fundo] Possui uma carteira de, aproximadamente, R$ 42 bilhões em projetos aprovados, que podem vir a se tornar contratos de financiamento para a navegação de longo curso, interior, cabotagem, apoio offshore a plataformas de petróleo, apoio portuário, navegação de passageiros e pesca, bem como para estaleiros e instalações portuárias”, finalizou Pimentel.

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